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Para quem está de saco cheio

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24.11.09
 
Opa, dois livros novos a caminho. Para quem puder, aparece lá na Primavera dos Livros.



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25.10.09
 


Saiu no JB sábado passado uma resenha que fiz do engraçado livro de crônicas "Engolido pelas labaredas", do humorista americano David Sedaris. Segue trecho:

Henrique Rodrigues, JB Online

RIO - Quando esteve na Festa Literária Internacional de Paraty, em 2008, David Sedaris revelou que utiliza a própria vida como elemento de inspiração para sua obra. Mais precisamente, afirmou que 97% do que escreve provêm da observação acurada do que acontece no entorno. Sua trajetória, iniciada em programas humorísticos de rádio, é típica da comédia stand-up, em que o autor, antes de publicar, tem a oportunidade de sentir a reação da plateia às tiradas. Nas constantes apresentações que faz em vários países, o escritor aproveita para retroalimentar o trabalho.

Alguns desses textos, publicados nas revistas Esquire e The New Yorker, foram reunidos no livro Engolido pelas labaredas, da Companhia das Letras. Considerando que é o terceiro livro de Sedaris publicado pela editora, supõe-se que o humorista vem conquistando leitores também no Brasil.

(...)

Ao observar, da janela de casa, turistas americanos que descobrem não saber nada em francês ou como se perdem andando na cidade, Sedaris se situa na posição literalmente superior para rir dos seus compatriotas. Em outro momento, no entanto, é ele quem se vê perdido, tanto em lugares quanto nas diversas situações da vida prática à qual não consegue se adaptar. Sendo sujeito ou objeto das histórias, o humor é que sempre deixa a realidade mais leve e suportável.


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30.9.09
 
Estou retomando a rotina de escrita, com mais tempo para me dedicar à literatura.

Participei de debate na Bienal com Max Perlingeiro sobre arte e educação, pelo Amigos da Escola. Foi bacana pacas. Falei para os professores: vocês são o filé da sociedade.

Em novembro devem sair uns livros novos para crianças. E uma antologia de contos da qual sou organizador e um dos autores já está com contrato assinado. (depois falo mais sobre ela)

Vida que segue. Palavra idem.

E para essa tarde de chuva, vai um Fernando Pessoa:

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Abração

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3.9.09
 
retomando a escrita

DE PALCOS E ESTREIAS

Tiraste a velha máscara que um dia
Puseram no teu rosto sem aviso.
E mesmo sendo à tua revelia,
Tomaste como teus o choro e o riso.

Dançaste nesse falso paraíso,
No qual todo um cenário te cobria.
Fizeram do teu sonho algo impreciso,
E até do teu sorriso alegoria.

Caído o pano agora, recomeça
O teu próprio espetáculo, sem pressa
Ou vício ou medo. E para que não falhes,

Terás o teu caminho sem atalhos,
As roupas costuradas com detalhes,
A vida toda cheia de retalhos.



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9.8.09
 
E agora que não estou mais no governo (depois escrevo com calma sobre esse interessante período), vou voltar a postar.

Mas uma coisa é certa da qual me certifiquei. Não me vendo: nem no vender, nem no vendar.


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5.5.09
 
Prezados,

A ausência de posts se deve à minha recente mudança de trabalho. Estou na Secretaria de Estado de Educação do Rio agora. Como fui aluno dessa rede, acho que é hora de retribuir.

Quando a situação normalizar, volto com a rotina de textos.

Ex ducere pro nobis


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2.3.09
 
Minha amiga Aline pediu uma crônica sobre a Reforma Ortográfica para trabalhar com os alunos dels. Eis:

A LÍNGUA QUE SE MUDOU

Tenho lido alguma coisa de especialistas sobre a Reforma Ortográfica, bem como acompanhado as manifestações de amigos e conhecidos, usuários comuns da língua portuguesa. Para muitos desses, a razão da mudança se deu por burocracias de velhinhos eruditos, falta de preocupação oficial com coisas realmente importantes – como saúde, segurança e, acho irônico, educação – ou até mesmo um esquema articulado por editoras para vender novos dicionários.

Ouço falar dessa reforma há mais de dez anos, inclusive quando ainda estudava Letras. Na época, decorei o que seria mudado, como se quisesse estar sempre a par das atualizações linguísticas, mas como Portugal e outros países não o aprovaram, esqueci o assunto e voltei a decorar poemas – estes sim, reformadores da linguagem.

Estou confuso ainda com o uso do hífen em alguns casos, sem saudade nenhuma do trema e indiferente a determinados acentos. Ainda que nem sempre com literatura, trabalho escrevendo, e por isso é necessário saber como se expressar oficialmente. Imprimi um quadrinho que resume as principais mudanças, o qual tem dado conta enquanto não me acostumo com a nova cara de uma ou outra palavra.

Para a grande maioria dos usuários do vernáculo, essas reformas ortográficas pedem apenas isso mesmo: que aceitemos não nos acostumar o tempo todo. Não me lembro onde li que a língua é um tipo de casa onde a gente mora. Mudar as palavras gera um estranhamento parecido com aquele de quando se mudam móveis de lugar. Apenas a mobília, sem obras que mexam na estrutura da construção. Depois de passar o dia inteiro na rua, tudo de que precisamos é o lar, um espaço no qual tudo será reconfortante e conhecido. Mas um súbito espanto nos assola quando no lugar da mesa está um sofá, ou que é possível ver uma parede onde antes havia um guarda-roupa, ou que a geladeira cinicamente trocou de lugar com o fogão. Com o tempo, a língua e a casa já serão facilmente reconhecíveis. Até que seja preciso mudar de novo.

Por isso é que as colmeias, os tranquilos, os voos, os micro-ondas, os paraquedas e tantos outros indivíduos são estranhos até para o processador de texto do computador, que teima em achar que sabe tudo. Sabe nada.

Acredito que, se as palavras e os móveis modificados nos pedem tempo, vamos dar esse tempo para eles, sem excesso de preocupação em cometer uma ou outra gafe. Eu não tenho medo de escrever errado. Acho que tenho mais medo é de não ter o que e para quem escrever, mesmo dominando todas as regras e macetes. Aí seria como mudar os móveis e não receber nenhuma visita. (E como há por aí tantas casas inabitadas...)

Com a Reforma Ortográfica, agora todos os falantes de português devem escrever de um jeito só. Isso trará benefícios culturais, políticos e econômicos em algum tempo. Mas não nos esqueçamos de que a casa da língua é a boca e a melhor unificação linguística ainda é o beijo.


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4.2.09
 


Saiu hoje no blog do Prosa e Verso este meu poema.

APELO PARA A MOÇA DE ÓCULOS

Da tua distância, a realidade é míope:
As linhas inexatas e difusas
Só em ti ganham sentido. E até Calíope,

A musa mais sabida dentre as musas,
Pudesse, ficaria bem mais bela
Ornada com os óculos que usas.

Porque moça, há aí dentro das janelas
Um aquário em que as meninas, com seu nado,
Me encantam (de sereias que são elas...).

E o meu olhar, também sincronizado,
Mergulha e é pescado na armação
Que cobre esse teu mar esverdeado.

Não são muletas, máscaras, e não
Isolam o teu olhar do que vem vindo.
Mas sim frágeis molduras, onde então

É semirrevelado algo tão lindo,
Que é o teu rosto nesses óculos. Molhe-os
Com lágrimas de quem chora e está rindo

Até que eu possa enfim despir teus olhos.



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26.1.09
 


ADÉLIA ME PÔS PARA DORMIR

Hoje à tarde vi Adélia Prado na televisão. Depois de almoçar com a família, prostrei-me no sofá e de repente me vi zapeando, até que o dedo parou tão logo visse a mineira, acredito que a nossa mais importante escritora em atividade. Falava de coisas extremamente simples e essenciais, como o fato de a arte ser voltada para o sentimento, não para a lógica, e que a poesia existe porque nós não nos contentamos com a instância ordinária das coisas: precisamos do extraordinário.

Porém, como tivesse comido feijoada com a voracidade dominical, e os meus recursos internos se concentrassem na difícil extração digestiva daqueles nutrientes inusitados, fui adormecendo.

E dormi um sono em que Adélia continuava sua conferência. No surrealismo desse estado, em vez de falar para a platéia numerosa e atenta do programa gravado, a poeta conversava apenas e diretamente comigo. E era como se me lembrasse de coisas das quais já havia me esquecido, ou então alertava para que não as esquecesse. Aquele ensinamento íntimo abarcou desde questões técnicas da escrita até a necessária manutenção de um olhar que retirasse literatura da vida, mas que depois não deixasse de devolver para a mesma vida o que eu viesse a construir ou modificar pela arte da palavra.

Em dado momento, devo ter balbuciado que não estou mais escrevendo poemas porque fiquei cansado, embora depois talvez volte. Em vez de me fazer refém da minha própria inspiração e sugerir uma continuidade forçada, ouvi uma frase que dizia algo como “o tempo da poesia é um tempo diferente e deve ser respeitado”. Foi um alívio que me fez despertar, no momento final do programa, quando ela começava a ler seus poemas.

Adélia chora ao ler alguns dos seus textos. Quem esteve na Festa Literária de Parati ano retrasado certamente conferiu e partilhou com ela essa experiência de se emocionar diante da beleza pura e aguda das palavras. Pelo que me lembro, foram raros os que não choraram também, mesmo os que, como eu, só puderam assistir pelo telão. Hoje eu não chorei, mas sorri enquanto me esticava no sofá feito um gato preguiçoso. Levantei-me e fui conferir minha mãe e meu irmão tirando um cochilo, cada um no seu canto. Olhando-os assim, pensei, ainda sonolento, que eles são o meu grande poema.

E agora, madrugada de domingo para segunda, antes de entrar no sono para começar uma nova jornada rumo ao cotidiano prático e ordinário, rogo para que as doces palavras de Adélia Prado voltem a frequentar meus sonhos e os transcenda rumo à vida. E que aquela espécie de acalanto nos inspire a buscar o extraordinário ao longo de todo o dia.


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22.1.09
 
DEZ QUILÔMETROS MAIS PERTO

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Antonio Machado

Após estímulo dos colegas de trabalho, participei da corrida de S. Sebastião, na última terça-feira. Convém mencionar que não sou atleta e só frequento academia por recomendação médica, inclusive pela implicante suspeita de que as bicicletas e esteiras que não saem do lugar podem conferir uma metáfora da vã trajetória humana. Mas se o ambiente bate-estaca da marombagem não me interessa tanto, o lance da corrida foi surpreendente pacas.

Não posso deixar de lado o fato de que correr no dia do padroeiro da cidade também foi um tipo de procissão, só que mais rápida e com um grau maior de sudorese. Além do privilégio de se estar numa das paisagens mais belas do mundo, correr no (e pelo) Rio de Janeiro é uma possibilidade para que sejam exercitados não só os joelhos, mas também alguns princípios básicos de civilidade.

Ao contrário do que eu pensava, essas corridas agora me parecem uma atividade mais cooperativa do que competitiva, que encerra uma necessária visão de mundo hoje. Em termos de ideologia talvez seja uma contrária à da era Big Brother - segundo a qual, numa simulação de vida, o indivíduo ganha um milhão ao eliminar todos que o cercam. Na corrida, o pessoal dá força para que outros compartilhem a chegada no final daquele ciclo. Ouvimos a todo tempo palavras de incentivo e superação, e, quando nos damos conta, estamos fazendo a mesma coisa pelos outros.

Numa dessas é que nos deparamos com figuraças, como os corredores fantasiados e mesmo um senhor que passou por mim quando, alertado pelas minhas parcas limitações cardiorrespiratórias, já pensava em reduzir o ritmo. Sem deixar que eu parasse, disse que sempre corre, salta de asa delta, pratica queda livre, mergulho e – o mais difícil e árduo desafio – já se casara seis vezes. Por coincidência, era aniversário dele: setenta e um anos.
Em tempos de Obama e a consequente onda de renovação, não custa fechar este breve relato com a frase do seu pai histórico, Martin Luther King Jr: "Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito.”

E é para frente que eu sigo. Não sei bem para onde, por que ou até quando, mas sei que estou dez quilômetros mais perto.


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31.12.08
 
O GRÃO DA AMPULHETA

O que se foi já foi, embora esteja
Tão perto, aqui do lado, cutucando
A beira da memória, justo quando
Pensamos ter vencido essa peleja.

O que passou, passou, mas ainda passa.
E por passar ainda, permanece
Um fardo, um cheiro, um grão que amadurece
À medida que o tempo se esfumaça.

É um ano novo, um novo calendário,
Novo verão - porém a mesma aurora
De um futuro que sempre se inicia.

E é assim que o tempo passa: imaginário.
Como quem morre e nasce a cada dia,
Como quem chega enquanto vai-se embora.

Feliz 2009, galera!

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22.12.08
 
Vai um poema que fiz há alguns anos sobre o assunto atual. Sou daquele grupo dos que ficam meio ressabiados nessa época, mas não deixa de ser uma oportunidade para se agradecer pelo que se tem e pedir força para conquistar o que não se tem.

NÓS, OS CRUCIFICADOS


E foi anunciado que um tipo azul de rosa tímida eclodiu por esses dias
- Azul porque do céu longínquo, e o mesmo da tristezas inexpugnáveis -
Que na redenção íntima e universal comportaria o peso dos aflitos
E em cuja face repousaria eternamente o sumo insidioso dos pecados.
Mas eis que num repente desabrocha a inssureição das madrugadas
E o canto dos perdidos, na clemência dos abismos, das desgraças
Se eleva em tom doce-sulfúrico nos desertos dos teus dias.

Percebes? As vozes todas gritam gritam gritam até virarem um clarão
E se te prometem rio cobrem teu deserto com barragem
E as tuas cidades destruídas com a ânsia de fluência choram inutilmente sepultadas.

Repara na tua carne, tuas mãos, teus dedos: pouco lhe cabem
E ainda assim permaneces responsável pelo imenso fardo
Das noites e dos dias e da sensação perene de abandono
E a fé como um suspiro procrastinador dos desalentos
Te imprime a cada ciclo a nódoa taciturna e lenta.

Silenta.
O que lhe cabe é cruz, mas repara que ela tem o mesmo formato de tua mão.
E caminha, imaginando que nela repousa a lembrança de uma rosa azul.
E na firme experimentação de que o teu silêncio é ouro, incenso e mirra,
Renascerás por sobre as máculas como um tipo infinito de ternura.

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15.12.08
 


CAPITU

Enquanto procurava um documento em disquetes antigos achei um arquivo de 1999 (do século passado!) com exercícios de quando fazia oficina literária. No caso, a idéia era escrever uma carta ao Machado de Assis.

Fiz meus agradecimentos ao Bruxo - inclusive porque minha turma de formatura se chamou Brás Cubas - e encerrei a carta com um soneto sugerido no "Dom Casmurro". Explico: em dado capítulo do livro, Bentinho está no seminário e, com saudades, tenta escrever um soneto para Capitu, mas só consegue fazer o primeiro e o último versos. Termina o capítulo dizendo que deixa a cargo de algum desocupado preencher o soneto.

Então exerci a função de desocupado. Vai aí.


Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!
És flor que baila ao vento, inebriada.
Em sonho a tua presença é iluminada,
Tão cheia de beleza e de ternura.

Tu vens me visitar na noite escura,
E sinto uma emoção desconfiada.
Parece, Capitu, que não é nada,
Talvez só esse excesso de candura.

Pensando bem, tu és como uma rosa:
Possuis essa aparência majestosa,
Mas guardas sob as pétalas espinho.

E penso cá comigo: “Vai, Bentinho,
Segura essa tua rosa, a tua navalha.
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!”

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8.12.08
 


Já aconteceu, eu sei. Mas a correria não me permitiu atualizar o blog.

Participei da Primavera dos Livros dia 30/11, na mesa-redonda "Machado de Assis: as diferentes faces do Bruxo do Cosme Velho", e depois no Festival de Poesia, que homenageou Vinicius de Moraes.

Aliás, dias antes escrevi um soneto especificamente para ler no evento, meio à la Vinicius. Mas como estava voltando da Feira do Livro de Porto Alegre, acho que as duas últimas estrofes ficaram com cara de Quintana...

SONETO DE AMOR COM PONTO E VÍRGULA

O amor não me ensinou a ser maduro;
Também não me deixou mais inocente;
Não me nomeou escravo ou independente;
Antes, trancou-me livre no seu muro;

O amor não me tornou um ser mais puro;
Mas me sujou de vida, e fui em frente;
Mostrou ser soberano quem o sente;
E assim me deixou, trôpego e seguro;

O amor desenrolou-se de um novelo,
Em linhas que desfio e, sendo tinta,
Costuro em borda e tento compreendê-lo;

E só resta dizer: coisa indistinta,
Pensar o amor é como ver a lua,
Que mesmo quando acaba continua...


(Vôo 3416, sobre o litoral do Sul, 05/11/08, manhã.)




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7.11.08
 


Já aconteceu, mas não deu tempo de postar antes. Estive a trabalho na Feira do Livro de Porto Alegre até quarta, quando cheguei e fui direto falar com a molecada sobre Machado em Santa Teresa. Foi bom pacas. Ao fim, ganhei biscoito Globo.


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